Análise de cargo

Trocar cargo público por procuradoria: vale a pena?

Entre dois cargos, a carreira-fim do topo do Poder tende a ser a melhor aposta. Veja o raciocínio, as exceções e como conferir antes de decidir.

por Equipe Revisão5 min de leitura de leitura

Vale a pena trocar um bom cargo público por uma procuradoria?

Na dúvida, sim. Mesmo que o contracheque seja parecido no começo, a nossa leitura é que a aposta mais segura no longo prazo é a carreira-fim que está no topo do seu Poder. No Executivo, essa carreira é a procuradoria, e em grande parte delas ainda dá para exercer a advocacia privada.


A regra: carreira-fim do topo do Poder

No longo prazo, as carreiras-fim de um órgão tendem a ser melhores do que as carreiras-meio de outro órgão, ainda que esse outro órgão seja muito bom. Na prática:

  • Judiciário: juiz.

  • Ministério Público: procurador ou promotor.

  • Poder Executivo: procurador.

Se você está em dúvida entre dois cargos, comece perguntando qual deles é a carreira de topo do respectivo Poder.

Por que o teto pesa mais que o ponto de partida

Quando duas carreiras pagam parecido no início, a diferença aparece depois. O que pesa é quem está acima de você na estrutura do órgão.

Nas procuradorias. Entre os cargos de concurso, não há ninguém acima do procurador. Acima dele só está o governador, que é cargo eleito. Nossa leitura é que a remuneração não sofre pressão de nenhuma carreira superior.

Nos tribunais de contas. O auditor convive com cargos de topo na estrutura, como os conselheiros. Ter carreiras acima tende a limitar a remuneração ao longo do tempo.

Por isso, no longo prazo, procuradores tendem a ficar melhor posicionados do que analistas de tribunais, ocupantes de cargos diversos de tribunais de contas e o pessoal das controladorias. Isso vale mesmo que você ganhe igual no começo.

O que o contracheque não mostra: advocacia privada

Em grande parte das procuradorias, o procurador pode exercer a advocacia privada. É um ganho a mais, que não aparece na comparação de remuneração entre dois cargos e que reforça a vantagem da carreira no longo prazo.

A regra varia de órgão para órgão. Antes de decidir, leia a lei orgânica ou o estatuto da procuradoria que você tem em vista e confira o que é permitido e o que é vedado.

Como decidir: passo a passo

  1. Identifique o Poder e a carreira de topo. Judiciário, Ministério Público ou Executivo? Quem é a carreira-fim?

  2. Veja quem está acima do cargo que você pensa em ocupar. Conselheiros, outros membros da carreira, chefias concursadas: tudo isso pressiona o teto.

  3. Compare o teto, não só o contracheque de entrada. Consulte o portal da transparência do órgão e olhe a remuneração de quem está no meio e no fim da carreira.

  4. Confira a regra sobre advocacia privada. Se ela é permitida, entre na conta, porque pode mudar a comparação.

  5. Se você já está numa procuradoria, pense duas vezes antes de sair. Nossa leitura é que há pouco motivo para largar o cargo para estudar magistratura, Defensoria ou Ministério Público. Só as duas situações da próxima seção justificam a conversa.

As exceções: Ministério Público de Contas e cartórios

Ministério Público de Contas (MPC). Na nossa avaliação, é o melhor cargo que se pode assumir por concurso público no Brasil. É o único que justificaria deixar uma procuradoria para voltar a estudar. É uma opinião sobre o cargo, não uma regra geral, e vale para quem já está bem-posicionado e tem fôlego para estudar de novo.

Cartórios. A procuradoria e o cartório respondem a perguntas diferentes:

  • Procuradoria: você aposta na carreira, no teto sem carreira superior concursada por cima e, onde a regra permite, na advocacia privada como renda extra.

  • Cartório: o critério é financeiro. É o concurso de quem quer ganhar bem acima de tudo, e o retorno esperado só vem se você passar entre os primeiros colocados. É outro jogo, com outro esquema de disputa.

Se o seu critério é construir carreira dentro do Poder Executivo, a procuradoria faz mais sentido. Se é maximizar a remuneração e você topa disputar as primeiras colocações, o cartório entra na conta, e não há motivo para esconder isso. O que não vale é tratar os dois como se fossem a mesma aposta.

Erros comuns

  • Decidir só pelo contracheque de entrada. Se hoje o valor é igual, o futuro pode não ser.

  • Tratar toda carreira como se tivesse o mesmo teto. Carreira-meio e carreira-fim se comportam de forma diferente ao longo do tempo.

  • Ignorar a advocacia privada. Ela pode pesar na comparação e depende da regra de cada órgão.

  • Trocar uma carreira de topo por outra sem motivo claro. Quem já está numa procuradoria precisa de uma razão forte para estudar tudo de novo.

  • Confundir “na dúvida” com “sempre”. A regra é uma bússola, e cada órgão tem a sua realidade.

E se você está começando do zero?

Para quem ainda não tem cargo, a regra serve para escolher o alvo certo antes de gastar tempo e dinheiro. Ela não encurta o caminho: a preparação para procuradorias continua exigindo estudo firme e constância.

O que fazer agora

Antes de trocar de cargo, ou de escolher o próximo concurso, faça três conferências:

  1. Veja no portal da transparência a remuneração de quem está no meio e no fim da carreira que você tem em vista.

  2. Leia a regra do órgão sobre advocacia privada.

  3. Descubra quem está acima do cargo na estrutura.

Com esses três dados, a comparação deixa de ser palpite.

Quer ouvir o raciocínio completo, com os exemplos? Veja a análise do Prof. Renério no vídeo abaixo.

E vamos juntos.

Para acompanhar cada passo dos concursos de procuradoria, veja o Radar dos Concursos.

CarreiraProcuradoriaEscolha de cargoAdvocacia privadaTribunal de contas

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