Trocar cargo público por procuradoria: vale a pena?
Entre dois cargos, a carreira-fim do topo do Poder tende a ser a melhor aposta. Veja o raciocínio, as exceções e como conferir antes de decidir.
Entre dois cargos, a carreira-fim do topo do Poder tende a ser a melhor aposta. Veja o raciocínio, as exceções e como conferir antes de decidir.
Na dúvida, sim. Mesmo que o contracheque seja parecido no começo, a nossa leitura é que a aposta mais segura no longo prazo é a carreira-fim que está no topo do seu Poder. No Executivo, essa carreira é a procuradoria, e em grande parte delas ainda dá para exercer a advocacia privada.
No longo prazo, as carreiras-fim de um órgão tendem a ser melhores do que as carreiras-meio de outro órgão, ainda que esse outro órgão seja muito bom. Na prática:
Judiciário: juiz.
Ministério Público: procurador ou promotor.
Poder Executivo: procurador.
Se você está em dúvida entre dois cargos, comece perguntando qual deles é a carreira de topo do respectivo Poder.
Quando duas carreiras pagam parecido no início, a diferença aparece depois. O que pesa é quem está acima de você na estrutura do órgão.
Nas procuradorias. Entre os cargos de concurso, não há ninguém acima do procurador. Acima dele só está o governador, que é cargo eleito. Nossa leitura é que a remuneração não sofre pressão de nenhuma carreira superior.
Nos tribunais de contas. O auditor convive com cargos de topo na estrutura, como os conselheiros. Ter carreiras acima tende a limitar a remuneração ao longo do tempo.
Por isso, no longo prazo, procuradores tendem a ficar melhor posicionados do que analistas de tribunais, ocupantes de cargos diversos de tribunais de contas e o pessoal das controladorias. Isso vale mesmo que você ganhe igual no começo.
Em grande parte das procuradorias, o procurador pode exercer a advocacia privada. É um ganho a mais, que não aparece na comparação de remuneração entre dois cargos e que reforça a vantagem da carreira no longo prazo.
A regra varia de órgão para órgão. Antes de decidir, leia a lei orgânica ou o estatuto da procuradoria que você tem em vista e confira o que é permitido e o que é vedado.
Como decidir: passo a passo
Identifique o Poder e a carreira de topo. Judiciário, Ministério Público ou Executivo? Quem é a carreira-fim?
Veja quem está acima do cargo que você pensa em ocupar. Conselheiros, outros membros da carreira, chefias concursadas: tudo isso pressiona o teto.
Compare o teto, não só o contracheque de entrada. Consulte o portal da transparência do órgão e olhe a remuneração de quem está no meio e no fim da carreira.
Confira a regra sobre advocacia privada. Se ela é permitida, entre na conta, porque pode mudar a comparação.
Se você já está numa procuradoria, pense duas vezes antes de sair. Nossa leitura é que há pouco motivo para largar o cargo para estudar magistratura, Defensoria ou Ministério Público. Só as duas situações da próxima seção justificam a conversa.
Ministério Público de Contas (MPC). Na nossa avaliação, é o melhor cargo que se pode assumir por concurso público no Brasil. É o único que justificaria deixar uma procuradoria para voltar a estudar. É uma opinião sobre o cargo, não uma regra geral, e vale para quem já está bem-posicionado e tem fôlego para estudar de novo.
Cartórios. A procuradoria e o cartório respondem a perguntas diferentes:
Procuradoria: você aposta na carreira, no teto sem carreira superior concursada por cima e, onde a regra permite, na advocacia privada como renda extra.
Cartório: o critério é financeiro. É o concurso de quem quer ganhar bem acima de tudo, e o retorno esperado só vem se você passar entre os primeiros colocados. É outro jogo, com outro esquema de disputa.
Se o seu critério é construir carreira dentro do Poder Executivo, a procuradoria faz mais sentido. Se é maximizar a remuneração e você topa disputar as primeiras colocações, o cartório entra na conta, e não há motivo para esconder isso. O que não vale é tratar os dois como se fossem a mesma aposta.
Decidir só pelo contracheque de entrada. Se hoje o valor é igual, o futuro pode não ser.
Tratar toda carreira como se tivesse o mesmo teto. Carreira-meio e carreira-fim se comportam de forma diferente ao longo do tempo.
Ignorar a advocacia privada. Ela pode pesar na comparação e depende da regra de cada órgão.
Trocar uma carreira de topo por outra sem motivo claro. Quem já está numa procuradoria precisa de uma razão forte para estudar tudo de novo.
Confundir “na dúvida” com “sempre”. A regra é uma bússola, e cada órgão tem a sua realidade.
Para quem ainda não tem cargo, a regra serve para escolher o alvo certo antes de gastar tempo e dinheiro. Ela não encurta o caminho: a preparação para procuradorias continua exigindo estudo firme e constância.
Antes de trocar de cargo, ou de escolher o próximo concurso, faça três conferências:
Veja no portal da transparência a remuneração de quem está no meio e no fim da carreira que você tem em vista.
Leia a regra do órgão sobre advocacia privada.
Descubra quem está acima do cargo na estrutura.
Com esses três dados, a comparação deixa de ser palpite.
Quer ouvir o raciocínio completo, com os exemplos? Veja a análise do Prof. Renério no vídeo abaixo.
E vamos juntos.
Para acompanhar cada passo dos concursos de procuradoria, veja o Radar dos Concursos.
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